🚨EXCLUSIVO: DESCONTAÇO NOS NOSSOS PLANOS VÁLIDO POR TEMPO LIMITADO

Redação Fuvest: como é, novas regras, mudanças e dicas

Pessoa escrevendo em um caderno, representando o processo de preparação e escrita da redação da Fuvest para o vestibular.

A Fuvest é responsável pelo vestibular da Universidade de São Paulo (USP), uma das mais prestigiadas instituições de ensino do país. Diferente do Enem, que abre portas para várias universidades, a Fuvest possui um processo seletivo próprio, bastante concorrido e que está passando por grandes mudanças.

Entre as etapas da seleção, a redação é cobrada durante a 2ª fase e avalia competências importantes, como a mobilização de conhecimento, a clareza na exposição das ideias e a adequação ao tema e ao formato propostos.

Se antes o estudante precisava dominar apenas a dissertação, agora as regras do jogo mudaram. Veja tudo sobre a nova redação e as recentes alterações nas provas da Fuvest! 👇📝

O que muda na redação da Fuvest?

A grande novidade aprovada pelo Conselho de Graduação da USP é a adoção de múltiplos gêneros textuais.

Isso significa que a prova deixa de cobrar exclusivamente o texto dissertativo-argumentativo. Nas próximas edições, a Fuvest poderá exigir que o candidato escreva uma carta, uma crônica ou um discurso, por exemplo. O objetivo é avaliar a capacidade de adaptação do estudante, sua articulação de ideias e o conhecimento do tema dentro do formato exigido pela proposta.

Como estruturar o texto no novo modelo?

Como a prova agora pode cobrar diferentes gêneros, não existe mais uma estrutura única (como a clássica divisão de introdução, desenvolvimento e conclusão da dissertação) que sirva para todas as provas. A estrutura dependerá do que for solicitado:

  • Se for dissertação-argumentativa: o candidato deve continuar apresentando uma tese clara na introdução, argumentos sólidos baseados em repertório e fatos no desenvolvimento, e uma conclusão que amarre o raciocínio.
  • Se for carta: será necessário ficar atento a elementos como local, data, vocativo, corpo do texto focado no interlocutor e assinatura (conforme as regras da prova para não identificar o candidato).
  • Se for crônica ou discurso: o texto exigirá um tom diferente, podendo ser mais narrativo, reflexivo ou persuasivo, dependendo do direcionamento da proposta.

Quantas linhas a redação deve ter?

Geralmente, a redação da Fuvest possui um limite máximo de 30 linhas e um mínimo de 20 linhas, independentemente do gênero textual solicitado.

Precisa de título?

A obrigatoriedade do título na redação da Fuvest pode variar de ano para ano. Em algumas edições ele é exigido, em outras, opcional. Por isso, é fundamental ler com atenção todas as instruções do caderno de prova e da proposta de redação para seguir as orientações específicas da sua edição.

Como a redação é avaliada?

A redação da Fuvest tem um valor total de 50 pontos. Esses pontos são distribuídos entre três competências principais, que recebem notas de 1 a 5 de dois corretores independentes (com uma terceira correção em caso de discrepância):

Correção gramatical: o candidato é avaliado pela precisão na ortografia, morfologia, sintaxe e adequação vocabular. candidato sendo avaliado pela precisão na ortografia, morfologia, sintaxe e adequação vocabular.

Desenvolvimento do tema e adequação ao gênero: o candidato deve mostrar que compreendeu o tema proposto e que obedeceu ao formato de texto exigido (carta, crônica, dissertação, etc).

Coerência dos argumentos: verificada pela organização lógica das ideias, progressão do texto e a correta articulação entre as palavras e frases.

O que zera a redação da Fuvest?

Fique atento! Sua redação pode ser zerada se você cometer um destes erros:

  • Fuga total ao tema proposto;
  • Não seguir o gênero textual solicitado na proposta (por exemplo: a prova pede uma carta e você faz uma dissertação);
  • Entregar a redação em branco;
  • Escrever um texto com menos de 20 linhas (número mínimo exigido);
  • Inclusão de elementos alheios ao tema, como desenhos ou comunicação não verbal.

Qual a diferença entre a redação do Enem e da Fuvest?

A principal diferença agora está na variedade de gêneros. Enquanto o Enem exige obrigatoriamente um texto dissertativo-argumentativo com uma proposta de intervenção social, a Fuvest é flexível, podendo cobrar desde crônicas até discursos, sem a obrigação de apresentar soluções para o problema abordado.

Além disso, o Enem foca em questões sociais e políticas do Brasil, enquanto a Fuvest tende a trazer temas mais subjetivos, artísticos e filosóficos.

O que mais muda nas provas da Fuvest?

Além da redação, a Pró-Reitoria de Graduação e a FUVEST aprovaram mudanças importantes na estrutura das provas para os próximos anos:

Vestibular 2027 (1ª Fase mais enxuta)

Os candidatos enfrentarão uma 1ª Fase com menos questões de múltipla escolha. Em vez das tradicionais 90, serão 80 questões, mas o tempo de prova será mantido. O objetivo é dar mais tempo para o candidato refletir sobre perguntas que agora conectam conhecimentos de diferentes áreas de forma mais interdisciplinar.

Vestibular 2028 (Mudanças profundas na 2ª Fase)

Aplicado em 2027, este vestibular trará uma reestruturação completa da 2ª Fase:

  • 1º Dia: passará a contemplar “Linguagens e suas Tecnologias” (Língua Portuguesa, Literatura, Língua Inglesa, Arte e Educação Física) com abordagem interdisciplinar. O número de questões dissertativas cairá de 10 para 8, além da redação.
  • 2º Dia: as provas passarão a ter 10 questões (em vez das 12 atuais). Além disso, os tipos de provas específicas cairão de 22 para apenas 6 tipos (focados em combinações específicas de Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas e Sociais Aplicadas), aplicados de acordo com a carreira escolhida pelo candidato.

Temas das últimas redações do vestibular da Fuvest

Veja também quais foram os temas de redação das últimas edições da Fuvest:

  • 2025: As relações sociais por meio da solidariedade
  • 2024: Educação básica e formação profissional: entre a multitarefa e a reflexão
  • 2023: Refugiados ambientais e vulnerabilidade social
  • 2022: As diferentes faces do riso
  • 2021: O mundo contemporâneo está fora da ordem?
  • 2020: O papel da ciência no mundo contemporâneo
  • 2019: De que maneira o passado contribui para a compreensão do presente?
  • 2018: Devem existir limites para a arte?
  • 2017: O homem saiu de sua menoridade?
  • 2016: As utopias: indispensáveis, inúteis ou nocivas?
  • 2015: “Camarotização” da sociedade brasileira: a segregação das classes sociais e a democracia

Esses temas mostram a diversidade e o grau de complexidade das propostas da Fuvest, que frequentemente abordam questões filosóficas, sociais e culturais, exigindo uma análise crítica e uma boa argumentação dos candidatos.

Como fazer uma boa redação na Fuvest?

Para se dar bem, a regra de ouro agora é a versatilidade. Leia muito! Consuma diferentes tipos de textos (editoriais, cartas de leitores, crônicas literárias e discursos famosos). A Fuvest valoriza a originalidade e a capacidade de argumentar de forma crítica e autoral.

No dia da prova, leia os textos motivadores com extrema atenção para identificar exatamente qual é o tema e qual é o gênero textual que a banca está exigindo de você. Treine regularmente diferentes formatos e não se esqueça de revisar seu rascunho com distanciamento para garantir a melhor nota possível!

Pode enviar o próximo conteúdo para avaliação quando quiser!

Modelos de redação Fuvest 

Para você treinar para a prova da Fuvest e criar uma redação de qualidade para ser aprovado na USP, veja alguns modelos de redação dos vestibulares anteriores: 

Fuvest 2022: As diferentes faces do riso

Selecionamos a redação nota 50 de Julia Hamdan, estudante do curso de Medicina da USP. 

Último riso marginal

A associação do riso à alegria é universal, entretanto, existem faces do ato de rir ligada ao exercício de poder. O provérbio brasileiro “quem ri por último ri melhor” exemplifica uma dessas faces: a noção de que o “último riso” é o melhor, simboliza a vitória de um grupo social que ri em detrimento de outro, que se cala. Nesse sentido, sob a influência de conjunturas e contextos diferentes, o direito à risada pode representar o triunfo de setores marginalizados ou a vitória dos que buscam o controle e a apassivação de outros. Isso, paradoxalmente, sem deixar de ser um símbolo da felicidade (Eudaimonia), que, para Aristóteles deveria ser um objetivo coletivo.

Existe, na face do “riso dos opressores”, um sentido literal – o escárnio- e um sentido simbólico ligado à vitória da opressão. O primeiro é o ato de rir de alguém, de um grupo, ou de uma situação os banalizando. Um exemplo disso foi, em 2021, no Brasil, a circulação de vídeos ironizando as mortes por COVID 19, por meio de piadas e imitações da falta de ar, ocasionada pelo adoecimento, protagonizados por representantes do Governo Federal. Ações como essas resultam, através do riso maléfico, na manipulação social para menosprezar demandas importantes, envolvendo direitos humanos, a resolução da pandemia ou questões socioeconômicas. Nesse viés, o direcionamento do humor para temas sociais relevantes e urgentes a fim de deslegitimá-los intensifica, metaforicamente, a possibilidade de o “último riso” pertencer a grupos que associam discursos de ódio e intolerância ao humor.

Por outro lado, a resistência associada ao riso só é possível quando esse é protagonizado, em sua geração e vivência, por setores marginalizados das sociedades. Isso porque, há também o controle de sujeitos por meio da anestesia gerada ao rirmos: conhecidas como “políticas do pão e circo”, os investimentos em entretenimentos que distraem a população de pautas sociais, embora tenham em seu bojo algum “riso”, causam a apassivação dos sujeitos – risos inertes, sem ação social. Em contrapartida, a apropriação popular do lazer e do humor garantem a face de resistência do riso. Como exemplo dessa, têm-se os memes na Internet – os quais proporcionaram ao Brasil título de Fábrica de memes – e que o riso é gerado de forma crítica e a partir da inventividade popular que consegue, ainda que marginalizada ou silenciada, nutrir seus risos marginais.

Desse modo, embora haja diferentes faces do riso, o “último” deveria ser o marginal -da população para a população – que resiste aos escárnios. Assim, a Eudaimonia aristotélica pode ser alcançada através do humor popular.

Fuvest 2020: O papel da ciência no mundo contemporâneo

Veja a redação de Paolo Gripp Carreño, estudante do curso de Medicina na USP.

Cara ou coroa: o papel ambíguo da ciência no mundo contemporâneo

“Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas”: tal ideia resume a teoria humanitista apregoada pelo filósofo Quincas Borba, da obra homônima de Machado de Assis. Conforme se apreende dessa fala, o personagem concebia a vida por meio da sua associação a um campo estratégico de luta, tal como representavam, metaforicamente, as duas tribos antagônicas em disputa pela sobrevivência. Destarte, o humanitismo, não por acaso, é frequentemente tido como uma sátira às correntes cientificistas típicas do século XIX e, em especial, ao darwinismo social defendido por Herbert Spencer, que previa a seleção natural dos indivíduos mais adaptados ao meio, de modo análogo ao proposto por Darwin na Biologia. Sob tal perspectiva, em um mundo cada vez mais globalizado, o acesso ao conhecimento e às tecnologias digitais, notadamente desigual, tem se tornado constante alvo de cobiça, norteando as relações de poder existentes e ressignificando o papel conferido à ciência no cenário contemporâneo.

Desde a Antiguidade, contudo, a razão tem sido objeto de discussão na Filosofia, sendo colocada, inclusive, como pilar principal da sociedade justa idealizada por Platão na célebre obra “A República”. Durante a Idade Média, por sua vez, a Igreja Católica exercia, de certa forma, um monopólio sobre o conhecimento, adequando-o à visão religiosa e utilizando-o como instrumento de dominação. Nesse sentido, o período medieval foi intitulado, pelos pensadores iluministas, de “Idade das Trevas”, expressão que se opunha àquela usada por eles para se referir ao século XVIII, o “Século das Luzes”. De modo alegórico, a mencionada antítese refletia o caráter que então se pretendia dar ao conhecimento cientifico, capaz de afugentar o breu da ignorância e, como uma lanterna, iluminar o caminho a ser seguido em direção ao aperfeiçoamento da sociedade, pensamento posteriormente reforçado pelo filósofo francês Auguste Comte. Em sua visão teleológica, o intelectual elaborou a Teoria dos Três Estágios, elencando a ciência como meio a partir do qual a humanidade poderia evoluir até atingir o Estágio Positivo ou Científico, que simbolizaria o máximo grau de desenvolvimento.

Sem embargo, a despeito dos discursos iluminista e positivista, o aprimoramento do conhecimento evidenciou outras contradições: a Revolução Industrial inaugurou novas relações de exploração; as Guerras Mundiais estimularam a criação de armamentos potencialmente destrutivos; a Guerra Fria tornou a ciência um campo, agora oficial, de disputa; e a globalização incentivou o surgimento de uma nova maneira de exclusão social, vinculada ao acesso desigual às tecnologias digitais. A partir disso, pode-se perceber a clara materialização da teoria desenvolvida pelos frankfurtianos Theodor Adorno e Max Horkheimer, responsáveis por analisar a denominada “razão instrumental”. Segundo eles, o conhecimento teria se tornado um importante instrumento de dominação, ampliando a capacidade de interferência do homem sobre a natureza, como corrobora a intensificação de problemas ambientais, e sobre o próprio homem, a exemplo do emprego de tecnologia nuclear como forma de dissuasão no contexto geopolítico mundial.

Desse modo, em virtude dos aspectos abordados, constata-se o papel ambíguo da ciência na realidade contemporânea, pois, paralelamente às facilidades de transporte, comunicação e entretenimento disponíveis atualmente, fica evidente que a instrumentalização da razão representa uma fonte propulsora das hodiernas relações de poder. Consequentemente, apesar de desafiador, o uso consciente e democrático da ciência é indispensável para rechaçar a situação de permanente guerra prevista pela teoria humanitista e consolidar o conhecimento como alicerce do tão almejado desenvolvimento, conforme sonhavam Platão e Comte.

Conclusão 

A redação da Fuvest é uma parte bastante desafiadora e decisiva do vestibular, exigindo dos candidatos uma argumentação, originalidade e um bom domínio da escrita. Portanto, entender a estrutura da dissertação, praticar com temas de anos anteriores e ter um repertório cultural amplo são passos fundamentais para se destacar. 

Com preparação adequada, você é capaz de construir um texto autoral e bem fundamentado, aumentando significativamente as chances de sucesso nesse processo seletivo tão concorrido.

Recomendado

Você está resolvendo aquela prova de Física do Enem, o tempo está correndo e aparece uma questão sobre blocos empurrando…

A Segunda Lei de Newton, ou Princípio Fundamental da Dinâmica, afirma que a força resultante aplicada a um corpo é…

Atenção, candidatos: a tão aguardada primeira fase do Vestibular ITA 2027 será aplicada neste domingo, 27 de setembro, das 13h…

Cadastre-se para receber notícias sobre Educação

Você sempre bem informado(a)🫡. Assine nossa newsletter gratuita!

Política de privacidade*