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Funções da linguagem: quais são os 6 tipos

Infográfico sobre Funções da linguagem, com exemplos das funções emotiva, conativa, referencial, poética, fática e metalinguística.

As funções da linguagem são as diferentes formas de utilizar a língua de acordo com o objetivo do falante. Toda comunicação possui um propósito central: seja ele informar, convencer, emocionar, testar o canal de contato ou explorar a estética das palavras. Ao dominar esses conceitos, você para de apenas “ler” o texto e passa a analisá-lo tecnicamente, identificando a estrutura e o propósito do autor com clareza.

Se você sente que a prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias é um desafio constante, saiba que a chave para gabaritar as questões de interpretação não está apenas na leitura superficial, mas em compreender a intenção exata por trás de cada mensagem.

Continue a leitura para entender tudo sobre as funções de linguagem!

O que são as funções da linguagem?

Para entender o que são as funções da linguagem, precisamos primeiro olhar para os elementos da comunicação. Sempre que nos comunicamos, seis elementos básicos estão em ação, conforme a teoria clássica do linguista Roman Jakobson. São eles: o emissor (quem envia a mensagem), o receptor (quem recebe), a mensagem (o conteúdo em si), o código (a língua ou sistema de signos utilizado), o canal (o meio físico por onde a mensagem circula) e o contexto (ou referente, que é o assunto da mensagem).

As funções da linguagem nada mais são do que o foco ou a ênfase que a comunicação dá a um desses seis elementos. Quando você escreve uma redação dissertativo-argumentativa no ENEM, seu objetivo central é convencer o avaliador e transmitir informações claras sobre um tema (foco no receptor e no contexto). Já quando você lê um poema, o foco está na própria estrutura das palavras e na estética (foco na mensagem).

Na prática, os textos raramente apresentam apenas uma função. O que as bancas de vestibulares exigem é que você saiba identificar a função predominante — ou seja, qual é o objetivo comunicativo principal daquele texto específico. Por isso, conhecer as diferenças entre funções da linguagem é o que separa um leitor comum de um estudante preparado para interpretar qualquer gênero textual na prova.

As 6 funções da linguagem (com exemplos)

Existem seis tipos de funções da linguagem, cada uma está ligada a um dos elementos da comunicação citados anteriormente. Abaixo, detalhamos as seis funções clássicas para você aplicar nos seus estudos.

Função referencial (denotativa)

A função referencial, também conhecida como denotativa ou informativa, tem como foco principal o contexto (ou referente). O objetivo comunicativo aqui é transmitir uma informação de maneira clara, objetiva, direta e impessoal, sem margem para duplas interpretações. É a linguagem da ciência, do jornalismo e dos materiais didáticos.

Suas principais características incluem o uso de linguagem denotativa (sentido literal das palavras), frases estruturadas na terceira pessoa (ele/eles), ausência de opiniões pessoais do emissor e foco em dados, fatos e estatísticas. Em provas, você encontrará essa função em notícias, reportagens, bulas de remédio e artigos científicos.

Exemplo:

“O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje que a inflação oficial do país recuou 0,2% no último trimestre.”

Nota: Observe como o texto apenas informa um fato, sem expressar emoção ou tentar convencer o leitor de algo.

Função emotiva (expressiva)

A função emotiva ou expressiva é totalmente centrada no emissor. Aqui, o objetivo é transmitir as emoções, sentimentos, opiniões e o estado de espírito de quem está falando ou escrevendo. É uma linguagem altamente subjetiva e pessoal.

As marcas linguísticas mais comuns dessa função são o uso da primeira pessoa (eu/nós), verbos e pronomes em primeira pessoa, adjetivos valorativos, interjeições e sinais de pontuação que indicam expressividade, como reticências e pontos de exclamação. Você vai esbarrar nessa função em diários, cartas pessoais, poemas líricos, depoimentos e blogs pessoais.

Exemplo:

“Eu me sinto completamente exausto depois dessa maratona de simulados, mas sei que no fundo todo esse esforço vai valer a pena!”

Nota: O foco está no sentimento do estudante (emissor), evidenciado pelo uso da primeira pessoa e por palavras que denotam emoção (“exausto”, “esforço”).

Função poética

A função poética tem como centro a própria mensagem. O emissor se preocupa intensamente com como a mensagem está sendo construída. O objetivo é criar um efeito estético, brincar com as palavras, explorar a sonoridade, o ritmo e as múltiplas interpretações.

Suas características envolvem o uso de linguagem conotativa (sentido figurado), figuras de linguagem (metáforas, aliterações, antíteses), rimas, métrica e uma escolha vocabular não convencional. Embora seja a marca registrada da poesia e da literatura, a função poética também aparece fortemente em provérbios populares, letras de música e slogans publicitários.

Exemplo:

“Amor é fogo que arde sem se ver; é ferida que dói e não se sente.” (Luís de Camões)

Nota: O autor não quer apenas definir o amor de forma técnica, mas usa antíteses e metáforas para construir uma mensagem esteticamente rica.

Função fática

A função fática foca no canal de comunicação. O objetivo comunicativo não é necessariamente transmitir uma informação profunda, mas sim iniciar, manter, testar ou interromper o contato entre o emissor e o receptor. É a função da interação social básica.

Ela é caracterizada por expressões de cumprimento, perguntas retóricas curtas e interjeições que servem apenas para checar se o outro está ouvindo. É amplamente utilizada em conversas telefônicas, bate-papos de elevador e inícios de aulas.

Exemplo:

— Alô? Está me ouvindo?
— Sim, estou. Pode falar.
— Ah, beleza então.

Nota: O diálogo não traz nenhuma informação relevante sobre o mundo externo; ele serve puramente para testar se o canal (telefone) está funcionando.

Função conativa (apelativa)

A função conativa, também chamada de apelativa, é focada no receptor. O objetivo é persuadir, convencer, dar uma ordem, fazer um pedido ou influenciar o comportamento de quem recebe a mensagem.

As principais marcas dessa função são o uso de verbos no imperativo (compre, faça, estude, vote), pronomes de tratamento (você, senhor) e vocativos. É a função predominante em textos publicitários, discursos políticos, sermões religiosos e manuais de instrução.

Exemplo:

“Assine agora a Estuda.com e tenha acesso ilimitado ao maior banco de questões para garantir sua aprovação em Medicina!”

Nota: O foco total é convencer o estudante (receptor) a tomar uma ação imediata, utilizando o verbo no imperativo (“Assine”).

Função metalinguística

A função metalinguística é voltada para o código. Isso ocorre quando a linguagem é usada para explicar a própria linguagem. É o código falando do código.

Você identifica essa função quando um poema fala sobre o ato de escrever poesia, quando uma música fala sobre o processo de composição, ou de forma mais literal, em dicionários e gramáticas.

Exemplo:

“A palavra ‘resiliência’ é um substantivo feminino que significa a capacidade de se recuperar de situações de crise e aprender com elas.”

Nota: A língua portuguesa está sendo utilizada para explicar uma palavra da própria língua portuguesa.

Como identificar as funções na prática

Siga este passo a passo para identificar a função predominante em qualquer questão:

  1. Leia o texto buscando o objetivo central: Pergunte-se imediatamente: “O que o autor quer com este texto?”. Ele quer apenas informar um dado? Ele quer me vender algo? Ele está desabafando?
  2. Identifique o foco da comunicação: Se o texto fala sobre emoções pessoais, o foco é o emissor (Emotiva). Se dá ordens, o foco é o receptor (Conativa). Se explica uma palavra, o foco é o código (Metalinguística).
  3. Busque as marcas gramaticais: Textos em terceira pessoa e linguagem objetiva indicam função Referencial. Verbos no imperativo entregam a função Conativa. Primeira pessoa e adjetivos sentimentais apontam para a Emotiva.
  4. Cuidado com a mescla de funções: Lembre-se de que um anúncio publicitário (Conativa) pode usar rimas (Poética) para chamar a atenção. O ENEM sempre perguntará qual é a função predominante ou qual função justifica o uso de determinada estratégia no texto. Foque no propósito final.

Funções da linguagem no Enem e nos vestibulares

A prova de Linguagens do ENEM é famosa por exigir resistência e alta capacidade de interpretação. As questões sobre tipos de funções da linguagem não costumam pedir apenas a nomenclatura decorada. O enunciado geralmente apresenta um texto motivador (um poema, um anúncio, um trecho de reportagem) e pergunta qual é a intenção do autor e quais recursos linguísticos evidenciam essa intenção.

Para estudantes de alto rendimento, a estratégia de prova envolve ler primeiro o enunciado e a fonte do texto. Se a fonte for um jornal de grande circulação, há enormes chances de a função referencial estar presente. Se for uma campanha do Ministério da Saúde, a função conativa será a base da análise.

Na plataforma da Estuda.com, você pode filtrar simulados específicos apenas com questões de funções da linguagem e treinar para o Enem e vestibulares.

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