Há uma estratégia para se sair melhor no Enem?

O que determina a nota que um candidato tem no Enem é a coerência dos seus acertos. Cada questão acertada a mais, representa um valor a mais na sua nota final.

Apesar disso, também não adianta acertar muitas questões que possuem grau de dificuldade muito maior que sua aptidão, porque a probabilidade de acertá-las será baixa, acrescentando pouco no resultado final.

O melhor cenário é acertar todas as questões cuja dificuldade seja menor que sua aptidão e mais algumas que estejam acima da sua aptidão.

Até agora não ajudou muito, certo? “O que fazer”, é fácil falar. Difícil é o “como fazer”.

Vou indicar passos preciosos para que seu percurso fique mais fácil.

Em primeiríssimo lugar, se as questões tivessem o grau de dificuldade impresso junto delas, seria facílimo: bastava começar a resolvê-las na ordem, das mais fáceis até as mais difíceis. Você resolveria rapidamente as primeiras dez ou vinte questões mais fáceis, gastaria um tempo maior nas dez ou quinze seguintes e demoraria bastante tempo nas dez ou quinze finais. Acertaria muito bem as do primeiro grupo, as que eram mais fáceis para você, porque seriam as questões abaixo do seu nível de aptidão e porque no início da prova você está mais descansado. No grupo seguinte, das questões medianas, um pouco abaixo ou um pouco acima da sua proficiência, você também teria bom número de acertos. No grupo das questões mais difíceis, acima do seu grau de aptidão, você poderia ter alguns acertos, ou por ter resolvido corretamente, ou por sorte mesmo, num chute certeiro.

Como a dificuldade não vem estampada junto com as questões, é preciso ter uma habilidade extra: detectar, durante a prova, as questões que estão abaixo, próximas ou acima da sua aptidão.

Iniciando a resolver a prova, quando você conseguir responder tranquilamente uma questão após a primeira leitura, isto significa que ela avalia uma habilidade que você tem e o grau de dificuldade dela certamente é mais baixo que a sua aptidão.

PASSO 1. Marque a alternativa correta e faça, ao lado do número da questão, uma marcação de que você a respondeu com facilidade. Pode ser um ok, um visto (ü), como em uma checklist, ou uma sigla, sua, RCS (resolvida com sucesso), por exemplo. O importante é que, ao voltar a ela depois, durante a prova, você saiba que ela não necessita de verificação.

PASSO 2. Caso você conclua a leitura de uma outra questão e perceba que a entendeu perfeitamente, mas que precisa de mais tempo para resolvê-la, pare a resolução, faça uma marcação desta condição ao lado do número dela e vá para a questão seguinte. Não faça uma segunda ou terceira leitura, buscando acertar a todo custo. Siga adiante e depois retorne a ela. A marcação que você fará deverá indicar para você mesmo que retomar esta questão será prioridade. A explicação disso é que esta questão tem grau de dificuldade mediano, próximo da sua aptidão e a probabilidade de que você a resolva e acerte é boa. Mas ela exigirá um pouco mais de tempo. No início da prova, não se deve parar muito tempo em uma questão. Se a não a resolver na primeira leitura, deve ser pulada.

Ainda nesta condição, se você conseguir concluir que uma ou mais das alternativas está(ão) errada(s), que definitivamente não responde(m) à pergunta, já faça esta marcação. Eu não recomendo riscar a alternativa. Coloque uma marca de negação no final dela, que pode ser um “X” ou um “NÃO”.

A marcação ao lado do número da questão pode ser +/-, um “Q” de quase ou uma sigla sua, do tipo PMT (precisa de mais tempo).

PASSO 3. Quando se deparar com uma questão em que sinta muita dificuldade ou não se lembre quais recursos deva usar para resolver, faça esta marcação ao lado do número de questão e passe logo adiante.

Esta questão provavelmente tem nível de dificuldade acima da sua aptidão e, se for assim, ainda que a acerte sua pontuação não será tão alta nela. É melhor dedicar seu tempo às questões doas dois grupos anteriores, as quais estão na sua faixa de proficiência e cujos acertos garantirão elevada pontuação.

A marca que você fará nesta questão pode ser uma interrogação (?) ou uma sigla,
como MD (muito difícil).

PASSO 4. Você leu uma outra questão e não tem ideia do que se trata. Ou você ficou com a impressão de que nunca estudou aquilo. Ou ainda, você se sente o sub, do sub, do subcapacitado para resolver aquela pergunta. Relaxe: você está diante de uma
questão muito difícil, com parâmetro de dificuldade muito acima da sua habilidade. Não gaste tempo nela, pois, ainda que a acerte, ela contará com uma pontuação baixa para você. Mesmo que você seja craque na matéria, esta pode ser uma questão que
foge às condições normais. Ou ainda, muito pior, pode não ter resposta mesmo e vir a ser anulada. Imagine se você tiver gastado minutos valiosos nela e depois descubra que não tinha resposta, realmente.

Faça uma marcação na questão, que pode ser uma interrogação tripla (???) ou uma sigla debochada, como PADD (pelo amor de Deus).

Siga adiante.

PASSO 5. Depois de concluir a leitura da prova toda, o que deve ter demorado uma hora ou menos, você já terá respondido no primeiro grupo diversas questões. De uma pessoa bem-preparada, devem ser de dez a vinte questões. O que significa que terá
pulado de vinte e cinco a trinta e cinco questões. Acalme-se que está indo muito bem. É hora de repetir o mesmo procedimento com a outra prova do mesmo dia. Mais uma hora de leitura e resolução rápida de algumas questões.

Há candidatos que se cansam de fazer a leitura contínua das questões de uma mesma prova e preferem ler e tentar resolver as vinte primeiras questões de uma prova (Ciências da Natureza, por exemplo), depois as vinte primeiras da outra prova (no exemplo dado, Matemática), retornando a seguir para a primeira prova e depois para a segunda. O procedimento funciona. Cada um deve descobrir o que se adapta melhor para si. O que importa é o mecanismo de leitura e resolução rápida ou, não conseguindo resolver “de primeira”, pulando para a próxima.

PASSO 6. Depois de cerca de duas horas de prova, você terá lido todas as questões e respondido as mais fáceis, além de avaliar o grau de dificuldade para você das demais questões não respondidas. Retome, agora, a leitura e resolução das questões do segundo grupo. Leia novamente, observe as marcações que fez na primeira leitura. Pode gastar algum tempo nela, se perceber que está conseguindo resolver. Se conseguir, mude a marcação junto à numeração para indicar que está Ok, ü ou RCS. Se não conseguir, não se preocupe, mas não fique parado nela.

Siga adiante.

PASSO 7. Repasse novamente as questões do segundo grupo que ainda não tiver conseguido resolver, e tente respondê-las e incluí-las no grupo RCS.

PASSO 8. Havendo tempo, busque resolver as questões do terceiro grupo, aquelas que você achou MD ou (?), e veja se consegue encontrar a resposta correta.
Não se importe se não tiver tempo de voltar nas questões deste grupo. Tampouco as do quarto grupo (???, PADD). É verdade que em toda a vida escolar se estimula a resolução da prova toda, por mais difícil que seja, buscando a nota máxima. Mas com a correção pela TRI, isto não funciona. Cada aluno tem a “sua nota máxima”, que é dependente da aptidão que tem. É preciso otimizar o tempo, dedicando-o àquelas questões que estão na sua faixa de habilidade.

Usando estes passos, você não correrá alguns riscos perigosos:

Risco 1. Gastar muito tempo em questões muito difíceis, não conseguindo resolvê-las, afetando sua autoestima para continuar a prova.

Risco 2. O tempo excessivo gasto em uma prova impede a resolução satisfatória da outra prova do mesmo dia.

Risco 3. A dedicação exagerada a questões muito difíceis faz com que o tempo de prova não seja suficiente para resolver tudo, obrigando a chutar as últimas questões do caderno. Muitas destas questões estariam dentro da sua habilidade e você as acertaria se não tivesse que ter chutado.

Risco 4. Um grande tempo gasto em uma questão muito difícil, ainda que a acerte, pode resultar em ganho nulo, caso a questão venha a ser descartada pela TRI (quando isso acontece, costuma ser em questões muito difíceis).

Risco 5. Resolver e acertar as respostas sucessivamente – o que acontece quando se seleciona as questões que estão na sua faixa de habilidade – aumenta o estímulo para continuar na prova até o último minuto, com ânimo, porque os acertos te colocam “pra cima”. Se você se detem muito tempo em questões difíceis e muito difíceis no decorrer da prova, se sente mais cansado. Depois de quatro horas de prova, só deseja acabar logo.

Perceba que esta estratégia descrita é muito diferente da forma habitual, de resolver uma questão por vez, na ordem que o caderno de provas traz. Para que você tenha sucesso, é preciso treinar esta estratégia. Daqui até o Enem, faça simulados e aplique a técnica. Na primeira tentativa, é comum “se embananar”. O erro mais frequente é dedicar muito tempo na primeira fase, de leitura e seleção das questões, e ficar com pouco tempo para as etapas seguintes. Com pouco treinamento, dois ou três simulados, pega-se o jeito. A segunda falha comum é errar na seleção, colocando no segundo grupo de questões algumas que são muito difíceis e deveriam estar no terceiro grupo, de tal modo que quando você repassa a resolução, elas permanecem sempre inconclusas. Com o a repetição desta forma de fazer a prova sua seleção ficará aprimorada.

O aluno brasileiro tem baixa persistência, em média. Diante de uma sucessão de questões difíceis não são treinados para continuar a fazer a avaliação com o mesmo empenho. Desta falta de resiliência resulta um desempenho ruim do nosso alunado em exames internacionais, como o Pisa. A forma de resolução descrita aumenta o grau de resiliência.

Alunos de alto desempenho, adotando esta estratégia, conseguem “repassar” as questões ainda não respondidas até seis vezes durante as 4h, 4,5h da prova do Enem, conseguindo acertar mais de 90% das questões dentro do seu grau de aptidão. É um desempenho excelente.

Treine com a Estuda.com, aplique e depois nos diga! 

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